quarta-feira, setembro 24, 2008

Carol...Carolina!












Um anjo moreno de narizinho arrebitado e olhos curiosos.


Menina. A primeira das guriazinhas.

Boneca?

Princesinha?

A mais linda que eu já tinha visto. Eu sempre me emocionava muito. E continuava a contar os dedinhos, muito compriiiiiiiiidos. E a admirar os olhos tão vivos, o nariz tão perfeitinho e a boca, toda desenhada.

Era mesmo toda lindinha.

Quando nasceu e depois.

E era a minha boneca. A primeira.

Ao pai, logo à primeira vista, pareceu que era mais um menino. Mas logo um chorinho feminino trouxe um outro encanto ainda não conhecido.

E foram horas e horas de vigília a olhar para o berço e a babar, como fazem os pais com as suas menininhas. Fazem aos filhos homens também, mas parece que com menina é diferente. Eles se derretem todos.

Carolina também não foi um nome ao acaso. Era forte e também fazia parte dos romances. Mas sobretudo era o nome da musa da música de Chico Buarque de Holanda, de quem sempre fui fã incondicional e até hoje sou.

Carolina, nos seus olhos fundos, guarda tanto amor, o amor de todo esse mundo...

Se fosse menina, desde o primeiro filho, sempre era prá ser Carolina.

E tinha também a tia Carolina, irmã da vó Ilda.

Prá completar, nasceu no mesmo dia. E ficou também como homenagem.

A Carol veio trazer muita alegria e colorido à nossa família.

Cresceu sapeca e inventiva. Bonitinha.

E eu brincava de boneca, como brincam as mães de vinte e poucos anos. Mas com bonecos vivos e cheios de mistérios, que fui descobrindo enquanto crescia junto com eles.

Sempre foi uma criança de personalidade muito forte. Sempre soube o que queria.

E a gente, de alguma forma, sempre entendeu isso como uma qualidade dela.

Por isso chefiava a maior parte das brincadeiras e acabava por levar os outros no bico.

Na verdade, não consigo lembrar de um tempo de cada um deles, logo ao fazer um aninho a Carol passou a ter a companhia da irmãzinha Raquel, além dos Manos Rodrigo e Gabriel, e as minhas lembranças acabam por envolver todos, como um conjunto.

As tardes de domingo eram preenchidas com brincadeiras no Tênis Clube ou em outro lugar qualquer, em Santiago, onde eu filmava horas a fio as atividades dos quatro, cada um com as suas peculiaridades. Eram os nossos passeios, enquanto o Chico viajava nas suas funções de presidente do Cruzeiro.

Desta época temos muitos filmes que até hoje eles assistem e reassistem, de tempos em tempos, como a uma relíquia valiosa. E se emocionam ao ouvir as suas vozes de crianças e ao verem as coisas que faziam. A Carol costumava cantar uma música em inglês, fazendo muitas caretas e gesticulando muito em frente à câmera de vídeo, prá que eu e decerto o mundo entendêssemos:

I just call to say I love youuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Fazia um bico enorme no fim da frase. Ficou famosa nos tais filmezinhos.


Eu tinha tanto gosto pelos vestidinhos bem enfeitados e laçarotes. Adorava vestir as duas como duas bonecas de verdade. Coisas de mãe...Mas ela queria mesmo era andar com os calçõezinhos adidas surrados , herdados dos irmãos. E detestava saias. Jogava futebol com eles e com os amigos dos irmãos, até o ponto de começar a ser olhada com respeito, porque no meio deles era meio craque. Não havia nada que se referisse a condicionamento físico em que ela não se sobressaísse. Sempre foi esguia, magrinha, de biotipo atlético. Fez de tudo. Corridas de rua, futebol, natação, tênis. Em tudo era competente e se via que gostava.

Prá nós acabou sendo natural que fizesse qualquer coisa relacionada com isso, na vida profissional. Penso que herdou do pai o gosto pelo esporte.

Como os irmãos, estudou no colégio Apolinário e de lá deve ter muitas e lindas lembranças das professoras e dos coleguinhas. Uma delas, a Vanessa, é amiga inseparável até hoje, dela e da Raquel.

Perderam os dentinhos juntas, ela e a mana Raquel. E fizeram quase tudo juntas, na medida em que foram crescendo e ganhando o mundo. Sempre foram de uma cumplicidade espantosa. E sempre se entenderam muito bem.

E vieram carnavais e as suas fantasias, as bonecas vivas, os bailinhos vestidas de prenda na escola, as gincanas, os mingaus. As nossas viagens em família, onde se cantava Chico Buarque, Milton Nascimento, Mercedes Sosa. Costumávamos brincar de batizar cada música como sendo de um da família, pelo que dizia na letra. E nos divertíamos tanto com aquilo.

A Carol sempre gostou muito de música. De música e de festa. De cantar comigo e com os meus amigos. O Ricardo Freire, o Beto Pires, depois o Marcelinho Schmidt e ainda mais depois a Ângela Gomes. Sempre teve muito bom gosto prá música. Aliás, a gurizada toda. a música sempre fez parte importante na vida deles.

Antes ainda, cantavam Raimundo Fagner, ela e a Raquel, fazendo apresentações para os nossos amigos, em casa, quando iam nos visitar. Lembro de uma vez em que o nosso amigo Rivail teve que ouvir o disco todinho do Fagner, de cabo a rabo, e elas muito compenetradas, tinham todas as letras decoradas e até os tiques.

Um tempo bonito, inesquecível.

Eram afinadas.

E são até hoje. Naquele tempo não tinham nenhuma vergonha. Hoje têm um pouquinho, mesmo assim, sempre cantamos quando a gente se junta. E sempre tem uma lagrimazinha que insiste em aparecer no olho, quando cantamos assim.

Lembranças fortes, verdadeiras e boas, como esta música em que a Zizi Possi canta com a filha Luísa e que era uma das nossas preferidas em muitas das nossas viagens. http://br.youtube.com/watch?v=EH_1VdBHops











Com os manos aprendeu as danças da vida e mais tarde fez par com o Gabriel na tarefa de limpar o salão no fim das festas. Nunca vi gostar tanto de serem os últimos a sair. Bem, já contei aqui que o Gabriel fez isso até no dia do seu casamento.
Do Rodrigo ela era a guardiã da boa forma. Muitas vezes me vi feia prá apartar as brigas em frente à geladeira. Na época ele não entendia, mas era puro amor e cuidado. Ele não queria nem saber, qualquer um que ficasse entre ele e a geladeira, quando adolescente, era um obstáculo a ultrapassar. E de que forma!

Também tentava controlar o tempo de TV do irmão, outra briga de foice.

Hoje dão muita risada de tudo isso e são irmãos super unidos e amigos. A Carol é madrinha babona da Luísa, junto com o Gabriel.





















Um dia a vó Ilda quis ir visitar a tia Eda no Rio de Janeiro. E lá se foi a Carol com a vó, muito responsável, sem nunca ter posto os pés fora do estado do RS. E eu recomendando que não descessem do avião, nem por decreto, na despedida, no aeroporto em Porto Alegre. Pois o avião tinha conexão em São Paulo e eu quase dei em maluca, depois que já tinham decolado, apavorada que não quisessem abandonar o avião, mesmo que orientadas.
Por sorte se saíram bem e chegaram felizes ao destino.





A praia do Cassino era uma festa. O mar outra maior. E as fantasias de Pedrita que a vó Helena fazia com papel crepom amarelo, cheias de bolas marrons, outra ainda muito maior, junto com o primo Thiago. Os guris eram os Bambans. Tinham direito até a ossinho de perna de galinha de verdade no cabelo, que eu e a tia e madrinha Betina providenciávamos. Ô tempo bom!

E eles se prestavam a tudo, achando aquilo muito divertido.

Com a madrinha, uma relação de carinho e parceria, tão parecidas na sua paixão por banhos e limpeza de casa. As duas muito organizadinhas e impecáveis nas suas arrumações.



Um belo dia todos cresceram. E eu me vi cheia de adolescentes em casa.
Foi quando ela desembestou que tinha um cabelo feio. Não era verdade. Nunca foi. Por isso mesmo, teve todos os cabelos que quis, de todas as cores e tamanhos e era bonita de qualquer jeito.
Por esta altura fomos morar em Florianópolis, onde a gurizada acabou tendo que crescer um pouco mais depressa do que o habitual.
A Carol passou a ser a minha conselheira, ajudante, secretária, amiga, confidente, prá além de continuar sendo a filha amorosa e prestativa que sempre fora.
Tivemos ali tempos felizes e momentos bastante difíceis, onde a superação teve forte base no amor e na união que sempre tivemos. Ali, muito mais do que mãe e filhos, um profundo laço se fez presente, em constantes trocas de papéis, quando isso foi preciso para seguir em frente.
A Carol, nestes tempos, muitas vezes foi muito mais minha mãe do que eu dela. Foi corajosa, solidária. E acho que com isso cresceu, se fez uma mulher forte, ainda mais consciente de suas vontades e sonhos. E partilhamos momentos muito importantes da nossa vida.
Todos nós. Uns cuidando amorosamente dos outros.


Depois vieram o colégio Riachuelo, os namoradinhos, as festas, preocupações com as saídas à noite, já em Santa Maria. Sorte eles terem as mesmas turmas e idades parecidas. Mesmo assim, lembro de ter acordado muitas madrugadas em vigílias de espera ou em via sacra de levar amigas em casa, depois da festa acabada.


Outras vezes os amigos iam lá em casa e eu gostava de ficar com eles a conversar e ouvir música, trocar idéias. Os amigos de meus filhos sempre foram meus amigos e isso foi muito bom. Aprendi muito com eles, ao mesmo tempo em que acompanhava a sua trajetória.


Também acabávamos por nos apegar aos namorados., cada um à sua vez. Quando acabavam o namoro era triste, dava vontade de chorar junto. Mas sempre ficávamos amigos. E logo vinha outro, a quem a gente se afeiçoava de novo e novamente via partir. Mas a vida é assim e tudo faz parte de um crescimento contínuo. Ganhamos bons amigos e até hoje gostamos de saber onde andam, o que fazem, como estão e, principalmente, se são felizes. Acabam por ser como filhos. Foi assim o João Guilherme, o Pastel, o Rafael, todos tão queridos e por quem tenho muito carinho e amizade.


Um dia parece que se acha a alma gêmea, né filha...E a gente sempre na expectativa de que seja.


Na profissão, como a gente desconfiava, a Carol escolheu fazer Educação Física. Terminou o curso, voltou a Floripa, dessa vez prá trabalhar e encarar a vida sozinha, mas acabou por descobrir que tudo o que queria era ficar mais perto da família e dos amigos. Estranhou, ficou triste e voltou prá Santiago. Com mais experiência na bagagem, claro. E cheia de vontade de começar tudo de novo. Encontrou o Lucas, foi paixão fulminante. E a gente torce prá que eles tenham amor suficiente prá construir uma vida juntos. É mais um filho e um grande amigo.


Voltou às origens, se juntou de novo à irmã Raquel, à vó Ilda, ao pai e à sua nova família. Está feliz da vida e agora tem mais um motivo prá comemorar. Passou a vida toda me dizendo que queria trabalhar num banco e que queria fazer o que eu fazia, que achava bonito e que gostava. Queria trabalhar na Caixa.


Então estudou, acreditou, passou no concurso e ficou esperando. Eu daqui, rezando todos os dias.


Deus nos ouviu e ela conseguiu. Mas com todos os méritos. Porque soube construir.


Hoje somos colegas, eu (de certa forma, uma vez Caixa, sempre Caixa), ela e o Rodrigo.


E é tão bom ver a felicidade dela na foto em Porto Alegre, quando foi assumir. Confesso que vendo essa alegria, consigo ficar tranqüila. Ela está onde sempre quis estar. E isso, na vida de qualquer pessoa, é tudo o que se pode querer.


Fora toda essa alegria, é titia babona da Luisinha e do Francisco, filhos do Rodrigo, os queridinhos da família. E de quebra, ganhou mais dois irmãozinhos, além da Stefânia, que já era o xodó, a Gabriela e o Marcelo.

Filha, espero do fundo do meu coração que estejas mesmo muito feliz. E que a festa do teu aniversário e da comemoração do novo emprego, esse que tanto querias, seja mesmo um marco de uma vida positiva, ponto de partida para outros tantos sonhos e realizações. Tu mereces, foi tudo muito batalhado.

Eu, daqui, mesmo que pareça longe, estou ao teu lado, segurando a tua mão quando for preciso, te aplaudindo pelas tuas conquistas, conversando sempre que quiseres e sendo extremamente feliz com a tua felicidade. Estamos juntas, sempre estaremos.

Que continues sendo essa filha maravilhosa com os teus pais, amorosa e solidária com todos os que te rodeiam. Essa amiga verdadeira e fiel que sempre foste, neta dedicada, irmã carinhosa e companheira dos teus irmãos. Tudo de bom que te acontece é o reconhecimento de tudo aquilo que representas prá todos nós.

És uma vencedora!

Minha filha querida, minha linda, minha boneca moreninha do narizinho arrebitado, toda a sorte do mundo, que os teus sonhos sejam todos alcançados, que tenhas saúde, alegria, paz e muito, muito AMOR no coração, sempre.

Te amamos muito.

Feliz aniversário!

Que os teus 27 anos sejam realmente um marco importante.

E que tenhas uma vida plena de Verdade.


Da tua Manhê (totalmente emocionada)

4 comentários:

Carol Görski disse...

Noooooooooooossa! rs
Eu nem sabia que era isso tudo!! hehe
Mas é sempre muito bom ouvir coisas assim de pessoas pelas quais agente sente tanto amor e admiração!
Não tenho palavras.
Posso apenas agradecer por esta homenagem e também por ser minha mãe.
Com certeza muito do que sou é devido a tua presença na minha vida.
Este ano, especialmente, coisas ótimas aconteceram na minha vida. Mas o que realmente importa é que todos (família) estão bem. E têm a felicidade que merecem!
Continuo de mãos dadas com todos também... estando cada um onde estiver!
Beijos Mommy

Carla Arend disse...

mas dá um liiivro só de homenagem!
hehe... :)

adoro essas fotos de família! :)

Rodrigo Gorski disse...

Concordo com quase tudo, menos com a parte que ela era guardiã da geladeira por amor e cuidado. Ela gostava era da encrenca mesmo.Até hoje gosta. Mas amamos ela deste jeito.

Carol Görski disse...

Bahhh... mas que calúnia!! haha
Mommy faltou vocês na festinha... e o Gabrielvis e a Renatinha!
Ninguém quis fazer discurso e o pai falou sobre o teu blog prah galera que estivesse interessada em saber sobre mim... hahahahahaha
Beijos